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A
cirurgia gastrintestinal para a obesidade, também
chamada de cirurgia bariátrica ou, mais popularmente,
cirurgia para redução do estômago, é uma opção para
as pessoas com obesidade mórbida e que não conseguem
perder peso pelos métodos tradicionais ou para quem
sofre de problemas de saúde relacionados à obesidade
mórbida.
Tipos de procedimentos
A
cirurgia bariátrica é classificada em duas
categorias: restritiva e disabsortiva.
Os
procedimentos restritivos promovem a perda de peso
pelo fechamento de partes do estômago para torná-lo
menor, assim restringe a quantidade de alimento que o
estômago comporta. Os procedimentos restritivos não
interferem com o processo digestivo normal. Como
resultado dessa cirurgia, a maioria das pessoas perde
a capacidade de comer grande quantidade de comida de
uma só vez. Após a operação, as pessoas usualmente
conseguem comer apenas ¾ a 1 xícara de alimento sem
desconforto ou náusea. Os alimentos também devem ser
bem mastigados.
Os
procedimentos disabsortivos, as cirurgias mais comuns
para a perda de peso, combinam a restrição do
estômago com um desvio parcial do intestino delgado.
É criada uma conexão direta do estômago para um
segmento inferior do intestino delgado, reduzindo as
porções do trato digestivo que absorvem as calorias e
os nutrientes. A técnica mais utilizada é chamada de
Y de Roux, que utiliza um anel de contenção para a
redução do estômago.
Indicações e contra-indicações
Como
foi dito, a cirurgia bariátrica deve ser considerada
em pessoas com um índice de massa corporal (IMC)
acima de 40 – cerca de 45 Kg de excesso de peso para
homens e 36 Kg para mulheres. As pessoas com IMC
entre 35 e 40 que sofrem de diabetes tipo 2 ou
problemas cardiopulmonares que levam a risco de vida,
como a apnéia do sono grave ou doença cardíaca
relacionada com a obesidade podem também ser
candidatas para a cirurgia. A seleção dos pacientes
requer um tempo mínimo de 5 anos de evolução da
obesidade e falência do tratamento convencional
realizado por profissionais qualificados, assim como
a ausência de uma causa endocrinológica para a
obesidade e estabilidade psicológica suficiente para
entender os mecanismos e as conseqüências da
cirurgia.
A
cirurgia estaria contra-indicada em pessoas com
doenças pulmonares graves, insuficiência renal, lesão
acentuada do músculo cardíaco e cirrose hepática.
Benefícios e riscos
Logo
após a cirurgia, a maioria das pessoas perde peso
rapidamente e mantém essa perda por 18 a 24 meses
após o procedimento. Embora a maioria das pessoas
readquira 5% a 10% do peso perdido, muitas mantêm a
perda de peso a longo prazo em cerca de 45 Kg. Além
disso, a cirurgia melhora a maior parte das condições
relacionadas à obesidade, como por exemplo o diabetes
tipo 2.
Quanto maior a extensão do desvio intestinal, maior
será o risco de complicações e deficiências
nutricionais. Pessoas com maior alteração no processo
normal de digestão irão necessitar de maior
monitoramento e uso por toda a vida de alimentos
especiais, suplementos, e medicações.
Um
risco comum das operações restritivas são os vômitos,
que são causados quando o estômago, agora menor, é
excessivamente preenchido por alimentos mal
mastigados.. Em menos de 1% de todos os casos,
infecção ou morte devido a complicações pode ocorrer.
Além
dos riscos da cirurgia restritiva, as operações
disabsortivas também podem levar a um grande risco de
deficiências nutricionais. Isso ocorre porque o
alimento não passará mais pelo duodeno e jejuno (as
primeiras partes do intestino), onde a maior parte de
ferro e cálcio são absorvidos. Aproximadamente 30%
das pessoas que são submetidas à cirurgia para perda
de peso desenvolvem deficiências nutricionais como
anemia, osteoporose, e doença metabólica óssea. Essas
deficiências usualmente podem ser evitadas se as
vitaminas e minerais forem ingeridos adequadamente
para cada caso.
Dez
a 20% das pessoas que se submeteram à cirurgia para
perda de peso necessitaram de outras operações para
corrigir complicações. Hérnia abdominal tem sido a
complicação mais comum que requer cirurgia posterior,
mas as técnicas laparoscópicas (em que se realizam
pequenos orifícios no abdome e opera-se por meio de
vídeo) parecem ter solucionado esse problema. As
pessoas com mais de 160 Kg ou que já tenham feito
alguma cirurgia abdominal não são boas candidatas
para a laparoscopia. Outras complicações incluem
náuseas, fraqueza, sudorese, debilidade e diarréias
após a alimentação, principalmente com a ingestão de
açúcares, devido ao rápido trânsito dos alimentos
pelo intestino delgado.
Ocorre também um aumento no risco de desenvolver
pedras na vesícula devido a perda rápida e
substancial de peso. Além disso, para mulheres em
idade fértil, a gravidez deve ser evitada até que a
perda de peso se torne estável porque a rápida perda
de peso e as deficiências nutricionais podem causar
danos para o desenvolvimento do feto.
Resultados
As
cirurgias disabsortivas produzem maior perda de peso
do que as restritivas e são mais efetivas em reverter
os problemas de saúde relacionados com a obesidade
grave. As pessoas que realizam a cirurgia
disabsortiva geralmente perdem dois terços do excesso
de peso dentro de dois anos.
Embora as cirurgias restritivas levem a uma perda de
peso na maioria das pessoas, elas são menos eficazes
que as cirurgias disabsortivas, em alcançar uma perda
de peso substancial a longo prazo. Algumas pessoas
readquirem o peso novamente. Outras são incapazes de
mudar seus hábitos alimentares e falham na perda do
peso que desejam.
É
importante ter em mente que a cirurgia não é uma
garantia de sucesso. Os resultados dependem da força
de vontade dos pacientes para adotar um plano a longo
prazo, de uma alimentação saudável e atividades
físicas regulares. |