A Obesidade é um mal que afeta milhões de pessoas no Mundo inteiro. Se você sofre desse problema o Apoio à Mulher disponibiliza abaixo alguns esclarecimentos à respeito das novas técnicas cirúrgicas e suas consequências.
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OPERAÇÕES RESTRITIVAS
 

 


Existe atualmente um número razoável de técnicas cirúrgicas disponíveis para o tratamento da obesidade. No entanto, podemos incluí-las basicamente em 3 grupos de cirurgias:

  • Cirurgias puramente restritivas
  • Cirurgias restritivas e disabsortivas
  • Cirurgias predominantemente disabsortivas

A opção por essa ou aquela técnica depende de uma série de fatores e deve ser individualizada, ou seja, cada paciente irá se beneficiar mais de um tipo específico de cirurgia, o que deve ser amplamente discutido entre a equipe médica e o paciente. De uma maneira geral, podemos dizer que quanto mais radical for a cirurgia maior será a chance de perda de peso, no entanto maiores os riscos e efeitos colaterais.

CIRURGIAS PURAMENTE RESTRITIVAS:

São cirurgias que têm como objetivo único, a diminuição da capacidade do estômago. Pequenas quantidades de alimento preenchem rapidamente esse “novo estômago” e o paciente sente-se saciado precocemente. Geralmente são cirurgias mais simples e com menores riscos que as demais, no entanto nem sempre proporcionam a perda de peso desejada. Requerem adesão a longo prazo a um novo comportamento alimentar.

Entre essas, a cirurgia mais realizada é a colocação da banda gástrica ajustável, porém outras opções como a gastroplastia vertical também podem ser realizadas.

A - BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL

A banda gástrica ajustável é, na maioria das vezes, a operação para tratamento da obesidade, mais simples utilizada. Consiste na colocação de uma banda ou anel ao redor do estômago, criando um “pequeno estômago” que se esvazia lentamente para um “grande estômago” através de uma pequena passagem localizada exatamente no local onde a banda está colocada (fig.1).
As bandas ajustáveis possuem uma pequena válvula que é colocada sobre a pele do paciente. Pequenas injeções de soro fisiológico permitem o ajuste da banda, regulando o calibre dessa passagem do “pequeno para o grande estômago”.
Por tratar-se de uma cirurgia menos complexa que as demais, é geralmente realizada por vídeo-laparoscopia, ou seja, sem a necessidade de grandes incisões para abertura da cavidade abdominal.
Popularizada na Europa, é muito utilizada no Brasil e foi recentemente aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration) para uso nos Estados Unidos. Alguns modelos estão disponíveis no mercado.


Figura 1

B – GASTROPLASTIA VERTICAL

É também um procedimento puramente restritivo, respeitando, portanto, os princípios fisiológicos da cirurgia da banda gástrica. No entanto é mais complexo do que a banda gástrica na sua realização. Nesse procedimento, a parte superior do estômago é grampeada através de grampeadores especiais, criando um “pequeno estômago” que permanece conectado ao “grande estômago” por uma pequena passagem. Geralmente utiliza-se ainda um anel ao redor do “pequeno estômago” para impedir que ele se distenda no futuro(fig.2).

Ao contrário da banda gástrica, necessita do grampeamento e secção do estômago. Sendo assim, em um número pequeno de casos, porém mais freqüentemente que na cirurgia da banda, pode ocorrer extravasamento por esse local, o que configura uma situação de extrema gravidade.


Figura 2

C - CIRURGIAS RESTRITIVAS E DISABSORTIVAS

Esse tipo de cirurgia é, na realidade, uma cirurgia restritiva como as anteriores, acrescida de um procedimento disabsortivo, ou seja, o alimento não passa mais do “pequeno estômago” para o “grande estômago” e sim diretamente para uma alça do intestino. Essa alça intestinal vai se encontrar mais a frente com uma outra que traz os sucos digestivos(bile e suco pancreático).

Criamos então duas vias independentes que se encontram em um ponto adiante(fig.3). Uma delas traz o alimento e a outra o suco pancreático e a bile necessários ao processo de digestão. Com isso, o alimento deixa de passar por um determinado segmento do tubo digestivo, criando algum grau de má-absorção, o que permite maior perda de peso. No entanto, esse desvio no trânsito alimentar, pode acarretar algumas deficiências nutricionais como a de ferro, cálcio e vitamina B12, que comumente precisam ser repostos no seguimento do tratamento.

 


Figura 3

São, na maioria das vezes, cirurgias mais complexas tecnicamente que as puramente restritivas. Há necessidade de “emendas”(anastomoses) entre o “pequeno estômago” e o intestino e entre os intestinos novamente. Sendo assim, tem maior risco pois a abertura de uma dessas emendas é uma situação de extrema gravidade. No entanto, na maioria das vezes, proporciona maior perda de peso mantida que as cirurgias restritivas.

Alguns detalhes técnicos diferenciam esse grupo de cirurgias entre si, no entanto, obedecem os mesmos princípios básicos e geralmente são comumente denominadas By-pass gástrico em “Y” de Roux ou cirurgia de Fobi-Capella. É, atualmente, a técnica mais realizada nos Estados Unidos para o tratamento da obesidade mórbida.

D - CIRURGIAS PREDOMINANTEMENTE DISABSORTIVAS

Esse tipo de cirurgia é denominado -predominantemente disabsortivo- pois o segmento de estômago que é removido não é o suficiente para produzir restrição eficaz. No entanto, criam-se dois canais independentes, um trazendo o alimento e outro os sucos digestivos, que só se encontram próximo ao final do intestino delgado. Dessa forma, a absorção alimentar fica bastante comprometida, o que promove a perda de peso(18,19).
 


Figura 1

Geralmente cursa com deficiências nutricionais mais importantes que as encontradas nos pacientes submetidos aos outros procedimentos. Sendo assim, são procedimentos normalmente reservados para os pacientes super-obesos. Toda essa disabsorção facilita o aparecimento do cálculo da vesícula biliar e por esse motivo, recomenda-se a retirada desse órgão durante a realização de uma cirurgia disabsortiva.

Dois procedimentos predominantemente disabsortivos são mais comumente realizados na atualidade: a derivação bilio-pancreática (Cirurgia de Scopinaro) e o duodenal switch (Figs. 4 e 5).

OUTROS PROCEDIMENTOS:

Entre outras opções podemos citar o balão intra-gástrico. Trata-se de um método endoscópico e não de uma cirurgia. Não é recomendado como tratamento definitivo, uma vez que é um tratamento temporário, sendo este dispositivo retirado após 6 meses.

É recomendado para pacientes super-obesos que necessitam perder peso antes da cirurgia para diminuição do risco cirúrgico. É utilizado também em pacientes com risco cirúrgico proibitivo ou ainda em pacientes que necessitam perder peso e não são candidatos à cirurgia.

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