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Texto escrito por
Magali Perdigão
Só quem
passou por isso sabe o peso da palavra câncer e o temor
que a doença causa.
Nós
sempre achamos que as coisas ruins só acontecem com o
vizinho, o colega de trabalho, a nossa cabeleireira,
enfim todo mundo, menos com a gente.
Aí de
repente um dia você se dá conta que não é diferente de
ninguém e que as coisas ruins também acontecem com você.
Foi
assim comigo, relativamente jovem (36 anos), uma vida
regrada, nenhum caso na família e a notícia de um
carcinoma de grau 3 na mama direita.
Foi uma
Sexta-feira difícil, sem dúvida a mais triste da minha
vida. Recebi a notícia após uma semana da primeira
cirurgia para a retirada de um nódulo da mama direita, e
a sensação de que o chão havia se aberto debaixo dos meus
pés.
Lembro
que uma das primeiras preocupações foi como a minha
família iria encarar a situação. Dei a notícia para minha
mãe por telefone, pois eu sabia que, talvez, eu não
tivesse estrutura para dá-la pessoalmente.
Eu
tinha duas alternativas, achar que a minha vida estava
terminando ou entender que minha vida estava recomeçando.
Eu, sem
dúvida, escolhi a segunda alternativa, e determinei que
o dia mais triste da minha vida seria o único.
Então
eu fui, após cinco dias, para a segunda cirurgia para a
retirada da área de segurança e de alguns gânglios
linfáticos. Não posso reclamar da vida, Deus foi muito
generoso comigo, eu tive uma ótima recuperação nas duas
cirurgias.
Fiz uma
cirurgia conservadora, ou seja, pelo tumor estar em
estadiamento 1 não precisei fazer mastectomia radical,
então tive que fazer os dois tratamentos, a radioterapia
dividida em 28 aplicações e a quimioterapia dividida em 6
aplicações.
Diante
disto eu adotei os seguintes princípios:
Não
subestimar nenhum sintoma. Na maioria das vezes realmente
se tratam de cistos, displasias mamarias ou tumores
benignos, mas sempre é bom procurar um médico.
Assumir
a doença. Se for diagnosticada não finja que não está
acontecendo com você. Assuma a doença, as cirurgias e os
tratamentos, por mais que sejam agressivos, a vida vale a
pena.
Começar
a pronunciar a palavra câncer e tentar fazer com que as
pessoas que estão ao seu redor também a pronuncie. Isso
faz com que encaremos a doença com mais naturalidade.
Saber
tirar coisas positivas desta fase “negativa”.
Não
deixar que as pessoas te tratem como se você fosse
diferente ou incapaz.
Procurar ter o cotidiano o mais normal possível, claro
que existem períodos, principalmente após a
quimioterapia, que são críticos, mas é sempre bom
acreditar que se trata de uma fase passageira, e são
efeitos colaterais do tratamento e não sintomas da
doença.
Procurar praticar atividades físicas, cuidar da
alimentação e se, você achar necessário, procurar um
profissional para cuidar da sua cabeça.
Procurar os direitos. As pessoas portadoras de neoplasia
maligna têm direitos assegurados por lei.
Se dar
o direito de fraquejar às vezes, poder chorar e gritar.
Ninguém precisa ser forte o tempo todo, mas cuidado para
não ficar se lamentando e ter dó de si mesma.
Nunca
duvide da fé, acredite em Deus e acredite, sempre, que
tudo terminará bem.
Eu tive
pessoas muito importantes nesta fase, que fizeram com que
a palavra câncer tivesse um peso menor. Entre estas
pessoas eu posso citar: meus médicos, minha família,
alguns amigos, meu namorado, meu chefe e meus colegas de
trabalho.
Eu
espero ter, de alguma forma, conseguido passar para as
pessoas que estão vivenciando esse drama a minha
experiência. Vamos tentar parar de associar a palavra
câncer à morte, se for encontrado no início, existe vida
após o câncer.
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Psicólogo: Mario Gontzos
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