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O que é depressão?
Depressão é uma doença
clínica como qualquer outra já conhecida por você, porém
com algumas diferenças. Ela pode aparecer em qualquer
momento da vida de uma pessoa, pode durar de 6 meses a 2
anos, ou mais, dependendo do caso. A depressão é
caracterizada por vários sintomas como humor deprimido,
perda de interesse ou prazer e alterações do sono. Na
depressão, estes sintomas causam distúrbios clínicos e
desajustes sociais e não são devido a efeitos de
substâncias ou doenças sistêmicas.
Qual
a causa da depressão?
Não se descobriu a causa
exata, mas sabe-se que o cérebro contém vários
mensageiros chamados de “neurotransmissores”, sendo que
os principais são “serotinina” e “norepinefrina”. Esses
neurotransmissores devem manter-se me equilíbrio para,
por exemplo, reagirmos adequadamente aos estímulos na
hora certa. Quando ocorre um desequilíbrio nesses
neurotransmissores, há uma deficiência na transmissão das
informações e sentimos uma desestabilização do humor e
vários outros sintomas. Que, juntos, irão causar a
depressão.
Quais os motivos da
depressão?
Geralmente são vários os
motivos que levam uma pessoa a ficar com depressão, sendo
que os mais freqüentes são:
-
Perda do emprego;
-
Perda de algum familiar
querido;
-
Acidentes no qual a
pessoa fica incapacitada;
-
Separação, divórcio ou
abandono;
-
Traumas de infância;
-
Amor não correspondido.
A depressão também pode se
manifestar mesmo quando não há nenhum motivo aparente ou
racional.
Quais os sintomas de uma
depressão?
Igualmente a outras
doenças, a depressão causa vários sintomas. Estes
sintomas podem interferir no seu dia-a-dia, fazendo com
que a pessoa com depressão não desempenhe ou aprecie as
suas atividades diárias. O que ocorre na verdade é que a
pessoa deprimida deixa de viver bem com ela mesma. O
ambiente familiar fica comprometido pois a convivência
passa a ser difícil. Os sintomas e a gravidade da
depressão são diferentes de uma pessoa para outra, por
isso o acompanhamento do seu médico de confiança e o
tratamento com medicamentos antidepressivos se faz
necessário e importante para que o paciente deprimido
possa voltar a ter sua vida normal. A seguir, vamos
destacar quais são as queixas mais freqüentes dos
pacientes com depressão.
Realmente um dos sintomas
mais freqüentes são as alterações de sono. Alguns
pacientes acordam freqüentemente durante a noite e não
conseguem dormir mais. Outros passam a ter um sono
cansativo e durante todo o tempo passam a ter sonhos e
pesadelos. Existe uma terceira categoria de pessoas que
dormem demais, a ponto de perderem a hora para seus
compromissos.
“Eu não consigo dormir
direito, às vezes acordo a noite toda ou durmo demais e
chego a perder a hora do trabalho!”
A
depressão pode afetar diretamente o apetite do paciente
deprimido. Algumas pessoas passam a se alimentar em
grandes quantidades e dessa forma ganham peso e tornam-se
obesos. Em outros casos a pessoa fica sem apetite, vai
emagrecendo e se expõe a uma série de outras doenças.
“Sinto que estou tendo
alterações de apetite, comendo pouco e às vezes muito!”
Ataques de choro sem
nenhuma explicação, fazendo com que as pessoas ao seu
redor não saibam qual o verdadeiro motivo destas crises.
Mal-humor na maior parte do tempo, ausência de reações às
emoções, falta de estímulo até com os filhos, tudo passa
a não ter sentido na vida.
“Sempre fui uma pessoa alegre, mas ultimamente vivo
triste!”
As
pessoas que têm um quadro depressivo são agitadas,
inquietas ou ansiosas. Esta ansiedade pode causar
nervosismo excessivo, fazendo com que o convívio no
trabalho passe a ser dificílimo. A impaciência torna-se
freqüente e a pessoa não consegue lidar com os problemas
do cotidiano.
“Estou sempre tão ansioso(a) e fico irriquieto(a)!”
Geralmente este é o início de tudo. O paciente faz
diversos exames e o diagnóstico é que não existe nada. Na
verdade existe sim, uma “dor”, porém ela está em sua
cabeça devido ao desequilíbrio dos neurotransmissores que
comentamos anteriormente.
“Sinto dores, fui ao
médico e fiz vários exames e ele não encontrou nenhuma
doença. O que eu tenho?”
A
“fadiga”, freqüentemente faz com que os pacientes com
depressão vivam cansados o dia inteiro, mesmo sem ter
trabalhado durante o dia. É característico no paciente
com depressão chegar em casa sem vontade de brincar com
os filhos, sentindo-se irritado com tudo que eles fazem.
Outro fator a considerar é o desinteresse sexual que o(a)
paciente deprimido(a) passa a ter pela(o) parceiro(a).
Todos esses fatores somados fazem com que o ambiente
familiar fique tenso, agravando ainda mais o quadro de
depressão.
“Eu já chego ao meu trabalho tão cansado(a), que não
consigo nem trabalhar direito, e quando chego em casa não
tenho vontade de brincar com meus filhos e, pior
ainda...estou perdendo o interesse sexual!”
A
depressão dificulta a capacidade das pessoas em pensar
claramente. A insegurança na hora de tomar decisões,
mesmo nas pequenas coisas, passa a ser cada vez mais
freqüente. Desta forma, os pacientes com depressão passam
a ser menos eficientes, os sentimentos de fracasso são
grandes e o desgosto toma conta da vida.
“Meu chefe disse que eu não sou mais o mesmo, pois estou
lento e não consigo me concentrar.”
Os
pacientes com depressão geralmente têm sentimentos
negativos em relação às pessoas e a si mesmo. Sentem que
o presente é algo dificílimo e o futuro uma incógnita
negativa e sem perspectiva. Passam a não acreditar neles
mesmos, achando que são inúteis, que não tem função
nenhuma e que ninguém se interessa por eles.
“Eu me sinto tão culpado(a). Eu sou inútil!”
Pensamento de suicídio. Esta de se matar ocorre com o
paciente deprimido. Esta talvez possa ser, na visão dele,
a maneira mais fácil que o paciente encontra para
terminar com seus problemas de dor, sofrimento e a
angústia que ele carrega.
“Eu não agüento mais, acho que, se eu morrer, não farei
falta para ninguém.”
Você, ao ir a seu médico, já estará dando um passo muito
grande e mostrando a coragem necessária para começar a
sair da depressão. Dependendo do grau de depressão, seu
médico poderá utilizar a terapia, mais adequada:
aconselhamento médico-familiar, com psicólogos ou
psiquiatras e ainda a terapia farmacológica, que é
especificamente o uso de medicamentos antidepressivos.
“Falar
com o médico é a melhor forma de iniciar um tratamento
para a depressão.”
Como
funcionam os medicamentos antidepressivos?
Os
antidepressivos são medicamentos criados para restaurarem
o equilíbrio nos neurotransmissores. Quando se inicia o
tratamento, o medicamento antidepressivo começa a agir a
partir da terceira semana e, gradativamente, a depressão
do paciente vai melhorando até chegar o ponto que ele não
precise mais tomar a medicação. É importante destacar que
os antidepressivos não são a cura definitiva e que a
depressão poderá ocorrer novamente.
Por
quanto tempo terei de tomar o antidepressivo?
Não
existe um tempo pré-determinado para tratamento da
depressão. Ocorre que seu médico, ao detectar que você já
está sem os sinais da depressão, irá realizar um
tratamento que chamamos de “manutenção” por um período
aproximado de 6 meses, onde pouco a pouco a dosagem de
medicamento vai sendo reduzida até o momento que seu
médico julgar conveniente o término do tratamento.
Quais
são os efeitos colaterais mais comuns?
Todo medicamento antidepressivo pode causar efeitos
colaterais. Existe uma classe de medicamentos chamados de
“tricílicos” que causam com uma maior freqüência efeitos
como aumento de peso, taquicardia e boca seca, sendo
necessária às vezes a interrupção do tratamento pelo
paciente. Os inibidores seletivos da recaptação da
serotonina (ISRS) são uma outra classe de antidepressivos
que causam efeitos colaterais, quando comparados aos
tricílicos. Independente de qualquer efeito colateral que
você venha a ter, o seu médico é a pessoa mais indicada
para auxiliá-lo.
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Psicólogo: Mario Gontzos
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