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AIDS - RECORDE DESDE O INÍCIO DA EPIDEMIA
 

 


Fonte:
GloboNews.com e Agências Internacionais

LONDRES - Mais pessoas morreram de Aids em 2003 do que em qualquer outro ano desde o início da epidemia, alerta um novo relatório da ONU divulgado nesta terça-feira. O número de novos casos também é recorde, apesar dos compromissos firmados pelos governos e do crescimento significativo dos recursos para combate da doença.

Em seu novo relatório anual sobre a epidemia, o Fundo Conjunto das Nações Unidas para HIV e Aids (o Unaids) e a Organização Mundial de Saúde estimam que 5 milhões de pessoas (ou algo entre 4,2 e 5,8 milhões) foram contaminadas ao longo de 2003. Três milhões (2,5 milhões a 3,5 milhões) morreram. Um em cada cinco adultos no Sul da África vive hoje com o vírus, que se continua se espalhando perigosamente pela Ásia e o Leste da Europa.

- A epidemia de Aids continua se expandindo. Não alcançamos o limite ainda - disse o diretor do Unaids, Peter Piot. - Mais pessoas foram infectadas e morreram neste ano do que jamais ocorreu antes. A Aids é a principal causa de morte na África e a quarta em todo o mundo.

As novas estimativas globais, divulgadas por ocasião do Dia Mundial de Combate à Aids, celebrado em 1º de dezembro, mostram que 40 milhões de pessoas (34 a 46 milhões) são hoje portadoras do HIV - e 2,5 milhões delas são crianças com menos de 15 anos.

"A epidemia continua sua marcha letal pelo mundo, com poucos sinais de desaceleração. Ao longo do ano, a cada minuto de cada dia, dez pessoas foram infectadas", diz o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em uma mensagem para o Dia Mundial de Combate à Aids. "Temos que manter a Aids no topo de nossa agenda política e prática."

Na África Subsaariana, apenas dois países, Uganda e Senegal, têm apresentado resultados significativos em seus esforços de prevenção. Das cinco milhões de novas infecções no mundo, 3,2 milhões ocorreram na região - que abriga 2% da população do planeta e 30% das pessoas que carregam o HIV. Em Botsuana e na Suazilândia, 39% dos adultos estão infectados. Além disso, o número de mortos começa a se aproximar do número de novos infectados. A Aids matou 2,3 milhões de pessoas na África Subsaariana em 2003, "criando um ciclo de doença e morte devido em grande parte à quase completa ausência de programas de tratamento e prevenção de larga escala", disse o Unaids em um comunicado.

O maior fardo está recaindo sobre as mulheres africanas. Em alguns países, uma em cada 5 gestantes está infectada. "Entre pessoas jovens essa discrepância é particularmente alta, com mulheres jovens, de 15 a 24 anos, mostrando-se 2,5 vezes mais propensas a serem infectadas dos que os homens da mesma faixa etária", denuncia o Unaids.

Para Peter Piot, a demora entre a infecção e o aparecimento dos sintomas - somente depois dos quais a maioria dos infectados é diagnosticada - sugere que os efeitos devastadores da epidemia apenas começaram.

- O fardo da epidemia vai se tornar maior e maior com o tempo porque leva em média sete a dez anos entre a infecção e o desenvolvimento da doença, e se não há tratamento, a morte. Em outras palavras, mesmo que, por milagre, toda a transmissão do HIV parasse, as pessoas ainda cairiam doentes. Estamos apenas no início do impacto da Aids, certamente na África.

Na Ásia e no Leste da Europa, o Unaids teme uma explosão da doença. "A prevalência nessas regiões continua crescendo e não mostra sinal de ceder", diz a entidade. "O rápido crescimento das infecções na China, Indonésia e Vietnã mostra quão repentinamente uma epidemia pode irromper onde quer que o uso de drogas injetáveis seja significativo e, como visto no Leste da Europa, ilustra a necessidade urgente de se aumentarem os esforços de prevenção antes que a epidemia se expanda para além dos grupos de alto risco."

Piot e Annan concordam que os compromissos de combate à Aids firmados pelos países nos últimos anos ainda não se traduziram em ação suficiente. "O mundo reagindo mais à Aids, através de iniciativas individuais, como o Plano de Emergência do Governo dos EUA para a Aids e o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Mas está muito claro que nossos atuais esforços globais continuam inteiramente inadequados para uma epidemia que permanece em sua espiral fora de controle", disse Piot no comunicado da Unaids.

Annan dá praticamente certo o fracasso nas metas da Declaração de Compromisso, firmada na Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU sobre Aids em 2001. "Deixamos de alcançar várias metas da declaração para este ano. Mais importante, não estamos no caminho de começar a reduzir a escala e o impacto da epidemia até o ano-alvo de 2005. Até lá, deveríamos ter reduzido em um quarto o número de pessoas jovens infectadas pelo HIV nos países mais afetados; deveríamos ter cortado à metade a marcha em que crianças são infectadas; e deveríamos ter programas amplos de tratamento em todo lugar. No ritmo atual, não vamos alcançar qualquer desses alvos até 2005."

Unaids alerta Brasil a não relaxar na luta contra a Aids

Lisandra Paraguassú - O Globo

CIDADE DO CABO - O relatório anual do Programa Conjunto das Nações Unidas para Aids, divulgado nesta terça-feira, volta a colocar o programa brasileiro de combate à epidemia entre os melhores do mundo, mas alerta: apesar de a prevalência da doença ser de apenas 0,6% da população brasileira, em algumas áreas, há razão para preocupação, com o número de infectados bem superior à médina nacional.

"A prevalência no Brasil continua abaixo de 1%. Isso é um legado dos programas de prevenção criados desde 1990, incluindo os esforços para ampliar os projetos de redução de danos e outros projetos de prevenção e um ativo e bem-sucedido programa para tratar pessoas com HIV. No entanto, o Brasil não pode descansar nos louros da vitória. Foi medida uma prevalência de HIV de 3% a 6% entre mulheres no Rio Grande do Sul que têm acesso difícil ao sistema público de saude". A Unaids ressalta que isso suscita o temor de uma epidemia silenciosa em andamentos nas comunidades carentes. O Brasil é citado ainda como exemplo no trabalho das empresas para prevenção da Aids. O trabalho da montadora Volkswagen é lembrado por estar funcionando por vários anos e ter obtido resultados significativos na melhora da qualidade de vida de seus funcionários. A campanha de prevenção inclui educação, distribuição de camisinhas, aconselhamento e apoio. - O programa brasileiro é um dos melhores do mundo, uma combinação ideal de prevenção e tratamento. Está funcionando e nós deixamos isso muito claro no relatório - disse nesta terça-feira, na Cidade do Cabo, Dan Odallo, chefe do Departamento de Intercâmbio do Unaids na África.

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